O senador e ex-presidente Fernando Collor de Mello (PTB-AL) é imortal. Não estou falando na política. Bem, não apenas na polítca. Collor foi eleito hoje ‘Imortal’ da Academia Alagoana de Letras, com 22 votos favoráveis e 8 em branco, numa votação que o presidente da Academia, bispo D. Fernando Iório, classificou ao Estadão como ‘nunca vista’.
Bem verdade que Collor era o único candidato a cadeira número 20, do médico Ib Gato Falcão, que morreu em 2008. Mas o detalhe é que na eleição nem os integrantes da Academia nem a imprensa teve acesso aos 7 livros que o ex-presidente diz ter escrito e publicado. Ou seja, os imortais votaram no escuro, e não se importaram com isso.
Mais. É comum membros que não têm livros comprovadamente publicados integrarem Academias de Letras, Brasil afora.
Uma Instituição que nunca teve grande representatividade ou força, ou até mesmo utilidade, como a Academia de Letras consegue se apequenar ainda mais com o passar dos anos. Se, ironicamente, publicar livros não é critério para ingresso na Academia, devia-se ao menos levar a integridade e a honestidade em consideração. Pessoas que lutam por um Brasil melhor e que fazem realmente coisas relevantes para o povo, especialmente na cultura e educação, existem aos montes. Prefere-se imortalizar corruptos e coronéis do século XXI.
Collor segue assim os passos de José Sarney, membro da Academia Brasileira de Letras.
O próximo deve ser presidir o Senado…
